3º Domingo do Advento


Em meio a tantas tristezas nesta terra como encontrar razões para a verdadeira alegria? Em que consiste a alegria proclamada pela liturgia neste terceiro domingo do Advento?

Certamente muitos entenderão a alegria como um simples sentimento interno que traz satisfação, bem-estar como um bom sorvete, uma viagem, um presente, a compra de algo desejado etc.

Ótimo, são alegrias e precisamos delas, mas estas alegrias são superficiais e passageiras, o sorvete se acaba, a viagem acontece e voltamos, o presente ganhamos e logo acostumamos com ele, o que compramos satisfaz e dependendo se acaba ou se torna inútil.

Percebam que para estas alegrias acontecerem necessitamos de estímulos externos que provocarão reações bioquímicas em nosso organismo (endorfinas). Mas é possível obter alegria a partir de realidades externas que não são agradáveis ou estimuladoras como se deparar com pessoas sofridas, famintas, desnudas, morando nas ruas, deprimidas, desesperadas, desempregadas etc.

Isto parece insano não é mesmo? Como ser alegre mergulhado em tantas desgraças e sofrimentos? Mas ao convite do profeta Isaías que diz: “Não te deixes levar pelo desânimo” é preciso descobrir o caminho da alegria no encontro com tais realidades e saber colocar-se em atitude solidária vencendo a tentação de simplesmente alegrar-se com coisas bonitas, prazerosas, sentimentos superficiais e passageiros.

O profeta João Batista novamente vem nos abrir olhos, mentes e corações para termos a verdadeira alegria duradoura e eterna, pois esta antecipa a alegria no espírito depois do nosso morrer.

Há uma busca, anseio em todos para encontrar esta alegria duradoura, o Evangelho cataloga as multidões, cobradores de impostos e soldados perguntando o que devem fazer nesta vida, e João Batista não traça um código de normas ou regras morais, nem estabelece complicadas doutrinas, nem escreve enciclopédias de documentos ou faz reuniões incansáveis e sem efeito algum que fica em aparências e superficialidades quase sempre maléficas e destrutivas.

O profeta conclama para uma sensibilidade real e concreta de quem se coloca diante dos outros e realiza a solidariedade como repartir as vestes e alimentos, ser justo no cobrar taxas sem ambicionar maiores valores, não usurpar ou tomar o que é dos outros como também não levantar falsas acusações.

Disto devemos aprender que a alegria em servir na solidariedade e caridade pela fé recebida no batismo consiste não em reações bioquímicas a partir de estímulos prazerosos como sorvetes, presentes, compras viagens, contas gordas, imóveis etc. e pior quando conquistadas injustamente, mas em reações “bioespirituais” onde o prazer não está nos bens materiais e sim no espírito em poder colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, em ter a consciência tranquila não devendo nada a ninguém, em ter as mãos e o coração limpos, sem sujeiras e trapaças por ter prejudicado, oprimido, roubado ou difamado os semelhantes.

É assim que entendemos o que diz a carta aos Filipenses: “Não vos inquieteis com coisa alguma”, esta alegria não permite nos inquietar com nada, pois ela traz a presença serena de Deus.

O profeta João Batista é firme e convicto em dizer que o batismo que Jesus traz é uma marca de pertença a Deus e quem viver este batismo com seriedade encontrará a verdadeira alegria, pois é um batismo no Espírito e no fogo (amor). Este fogo (amor) é que se encarrega de separar, limpar o trigo da palha, de recolher o trigo (vida em Deus) e queimar a palha (ausência de Deus).