4º Domingo do Advento


A vida de todo ser humano é uma intensa e contínua viagem, estamos na trilha da vida que tem seu começo, seu meio e seu fim, não tem como não percorrer de um jeito ou de outro este caminho que por sinal é tão curto.
O início da caminhada está em Deus, dele viemos na sua misericórdia fomos gestados, concedendo-nos a vida ele nos visitou e continua nos visitando e servindo-nos em seu amor.

Deus por primeiro na dinâmica do amor se põe a caminho e estabelece uma comunhão de vida com suas criaturas.
O percurso é de cada um, mas sem desconsiderar que a estrada é a mesma para todos, pois se trata da vida e sem desconsiderar que todos percorrem nela, por isso é inconcebível não voltar-se aos semelhantes, encontrá-los e servi-los no amor.

No quarto domingo e último deste Advento a personagem emblemática é a Virgem Maria a qual nos dá um belíssimo testemunho de quem confia em Deus e se coloca na aventura da viagem da vida.

A cena narrada por Lucas descreve Maria que se coloca apressadamente pela região montanhosa até uma cidade de Judá onde entra na casa de Zacarias e saúda a prima Isabel, pais do profeta João Batista, ainda no ventre.

Estabelece-se uma visita fecunda no encontro de vidas, a vida de Isabel, de Maria, de João Batista e de Jesus; comunhão de vidas entrelaçadas no plano e mistério da salvação de Deus.

Cenário e personagens estão despojados de poderes, domínios, ostentações, cargos e ofícios, mas estão assinalados de humildade, sinceridade, cumplicidade, respeito e cuidado.

Esta visita que realiza o que era esperado por muitos, a vinda daquele que traria a paz aos confins da terra como escreve o profeta Miquéias e este fato não se dá no templo, no palácio, nem por pessoas constituídas de poderes. São pessoas revestidas de humildade e comprometidas umas com as outras no convívio do lar, um templo doméstico, o lugar onde a vida acontece e segue o seu curso natural e espontâneo.

Às portas de celebrarmos o Natal do Senhor o grande apelo para nossos tempos tão conturbados e cheios de contra testemunhos a começar por lideranças civis e eclesiásticas que não estão preocupadas e nem interessadas em caminhar apressadamente no dinamismo do amor que vai ao encontro das pessoas colocando-se como visitas agradáveis e interessadas em criar vínculos fraternos, respeitando suas caminhadas e servindo-as em prol da vida, mas sim apressadas na busca de seus interesses, domínios e poderes passando ao lado, mas nem prestando atenção na vida que acontece.

A riqueza do nosso caminhar se dá a partir do corpo físico que possibilita exercitarmos a comunhão em nos ajudarmos mutuamente sem interesses ou segundas intenções se não tão somente amar.
Assim está escrito na Carta aos Hebreus: “Tu não quiseste vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo” e logo se diz: “Eu vim, ó Deus para fazer a tua vontade”.

Somente desta forma é que faremos bem nossa viagem para concluí-la em nosso destino feliz, de visitarmos a Deus na eternidade e lá conviver para sempre na paz.