Ninguém vem a este mundo por geração espontânea senão pela participação dos progenitores (pais), naturalmente se constitui aí um primeiro núcleo que pode se chamar família independente de um vínculo pelo sacramento do matrimônio.

Como aprendemos, a família é a célula básica e primeira de qualquer sociedade, mas o que implica e a que compete esta comunhão de vidas?

Se ficarmos apenas no plano terreno diremos que a família tem por finalidade apenas transmitir a vida, ou seja, basta pelo ato sexual por filhos no mundo e pronto, mas no mistério da vida está o plano divino que deve iluminar esta comunhão de vida.

Celebramos, pois, no tempo do Natal a festa da Sagrada Família, não como mera lembrança de uma família judaica na Palestina do século primeiro com intenção de copiá-la ou reproduzi-la, mas de acolher o espírito e abertura que tiveram para com o mistério de Deus.

Em todo tempo e em todo lugar nenhuma família ficou isenta de desafios e conflitos, cada um pense a família em nossa atualidade diante de tantas transformações socioculturais, antropológicas, econômicas, culturais e outras.
Não há como padronizar por um único modo de viver a família, temos a tendência de sermos rígidos, preconceituosos, intolerantes diante de novas situações por conta de nossas crenças, nossos costumes e tradições, é preciso arejar mentes e corações para acolher o que é comum, inegociável e valoroso que é o plano divino que se realiza pelo viés do AMOR.

A chave de compreensão para este plano divino e que encontramos estampado na família de Jesus, Maria e José é perceber que a vida como dom e mistério de Deus precisam acontecer ter seu amparo e cuidado em uma comunidade de respeito, amor, perdão e diálogo.

Nisto o Sacramento do Matrimônio trás a porta de entrada e a chave para acessar qualquer lar que queira viver um verdadeiro ambiente onde todos se sintam bem, importantes, acolhidos e amados, assim o Catecismo da Igreja chama o matrimônio de Sacramento de Comunhão e Serviço.

Dizer assim soa bonito e celestial, mas a realidade nua e crua nos mostra milhares de situações sofridas e pecaminosas como agressões, abortos, feminicídios, homicídios, abandonos de infantes e idosos, ausência de fé ou abandono de Deus, ausência de diálogo, infidelidades, desobediências, falta de limites etc.

Os textos da liturgia descortinam o horizonte para uma compreensão e vivência sensata conforme o plano divino, nisto o livro do Eclesiástico acentua em muito este plano quando diz: “Deus honra o pai nos filhos e confirmar, sobre eles, a autoridade da mãe”.

Ainda ensina o livro a usar da honra e respeito para com os pais, pois isto trás perdão, alegria, vida longa; é o exercício da caridade que garante uma comunidade favorável para todos.

Não há como deixar de mencionar a obediência dos filhos aos pais como está no Eclesiástico e na atitude de Jesus perante seus pais: “Jesus desceu então com seus pais para Nazaré e era lhes obediente”, obediência significa saber ouvir o que implica o ato de escutar sim com os ouvidos os ensinamentos, mas acolher a experiência de vida e testemunho edificantes dos pais e estes como está na Carta aos Colossenses não intimideis os filhos para que eles não desanimem.

A Carta elenca o modo de vida que nasce da caridade recíproca como a misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, pois o amor é o vínculo da perfeição.