Santos Reis Magos


Há pessoas que nunca saíram do lugar onde nasceram nunca viajaram e outras que vivem em constantes viagens de negócio, turismo ou outras motivos, estas são viagens externas, geográficas, mas na essência todo ser humano é ser em peregrinação.

Por mais que uma pessoa nunca saiu do lugar onde nasceu, nunca viajou ela traz em seu interior o sentido da peregrinação mais deslumbrante que é o “desejo de chegar ao céu”, ou seja, o desejo de encontrar Deus.
A celebração da Epifania (manifestação) do Senhor é no sentido espiritual a busca de todo ser humano pela fonte da vida, por Deus, a meta de toda criatura humana.

Ao dizermos que existem muitos caminhos para se chegar até Deus, podemos dizer que cada caminho é a própria pessoa, evidentemente uns deveriam ajudar outros na caminhada, pois são muitos e muitos que marcham por caminhos escuros, densos de trevas.

Para muitos uma viagem geográfica é tranquila, sem medos ou dificuldades, para outros se torna uma dificuldade, uma inquietação, pois a faz desacomodar, desinstalar, sair da zona de conforto e isto causa incomodo.

Da mesma forma ou talvez ainda mais desafiadora até mesmo para quem não se aflige com as viagens geográficas é a viagem interior ou espiritual, pois esta exige também o deslocar-se da zona de conforto das ideias ou pensamentos, da mudança de emoções danosas para boas emoções construtivas; exige olhares diferentes diante das novas situações, atitudes renovadas, aprendizado do desapego das coisas e pessoas uma vez que desta vida não se leva nada e ninguém.

Citei acima que em todos há o desejo do céu, os pastores encontraram Maria e José e o recém-nascido pelo misterioso anúncio dos anjos no céu; os magos chegaram na casa e encontraram o menino com Maria, sua mãe pelo sinal da estrela. Firmamento, céu, estrela simbolizam as altas aspirações da criatura em busca de Deus, o humano peregrinando ao encontro do divino.

Nenhum ser foi criado para ir à busca de trevas, mas sim da Luz que vem do alto, nisto o voltar-se para o Oriente que é o lugar onde nasce a luz (sol) é significativo na descrição bíblica e em seu conteúdo litúrgico-espiritual, pois denota o caminho de iluminação que todo ser humano é chamado a voltar-se ou buscar.

A iluminação em vista de chegar a Deus é orientação certa e este percurso não aceita inércia, acomodação, rigidez de vida que não permite mudar conceitos, ideias, sentimentos. É um caminho que precisa vencer medos, desinstalar seguranças, lançar fora o que é peso e incomodo que não permite um caminhar mais leve.

Esta peregrinação pela iluminação estabelece novo modo de ser e viver que como os Magos retornam por outro caminho. Uma vez aberto novo caminho não se tem mais desejo ou vontade de percorrer o mesmo caminho anterior, são novos ciclos abertos, são novas oportunidades, são crescimentos ou saltos qualitativos em valores e fé.
Vamos percebendo no crescer da vida que tantas coisas já não significam mais nada, vamos deixando para trás, não vamos mais gastando energias nem perdendo o precioso tempo.

Mas estejamos atentos é preciso querer, ter força de vontade, disposição e garra, dar passos, pois inércia, preguiça, acomodação, apegos etc. não nos levará ao nosso ponto de chegada que é a Luz bendita de Deus.