O Batismo


Há uma profunda diferença entre iniciação e sacramentalização entre catequização e evangelização, parece muito confuso, no entanto é fácil compreender a partir do olhar sobre a prática da Igreja e a vida dos cristãos.

Digo da iniciação como um forte processo ou uma autêntica e eficaz catequese que conduza as pessoas a terem conhecimento suficiente a cerca do que irá receber da Igreja (fé) e que vai modificar todo o curso da vida, digo dos sacramentos, em especial o Batismo. A iniciação supõe clareza e entendimento pela razão sim, mas, sobretudo supõe abertura, aceitação e vibração de vida com o mistério e a vida divina recebida pelos sacramentos.

Esta verdadeira catequese de iniciação já se deu nos primeiros séculos da Igreja quando havia um grande desejo e uma profunda mudança de vida em pessoas adultas que passavam pela catequese chamada “catecumenato” – iniciação cristã a começar pelo batismo, mas também a Confirmação e a Eucaristia.

Ao iniciar o Tempo Comum celebramos a festa do Batismo do Senhor, oportunidade para refletir o Batismo em nós.
A narrativa da cena do Batismo de Jesus tem um conteúdo carregado do sentido de Deus em sua humanidade e de sua missão na terra, sentido teológico, que, por conseguinte tem o sentido para todos os que recebem o Batismo.

Como Jesus desceu de junto do Pai por seu “esvaziamento” no mistério da Encarnação, no batismo por João Batista ele “desce” no silêncio e na participação da humanidade de muitos que para o Jordão se dirigiam em busca de um rito de mergulho como sinal de novo caminho (conversão).

Em nada Jesus necessitava de rito para conversão, nele não havia pecado algum, mas solidário uniu-se aos pecadores em fila; o grande toque da cena é o céu rasgando-se e descendo sobre ele o Espírito Santo e a confirmação da voz do Pai referindo-se a ele como Filho amado onde repousa todo o benquerer.

É assim a proclamação e inauguração do reinado de Deus na vida de Jesus, pois como atesta os Atos dos Apóstolos: “Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele”.

Voltemos, pois sobre iniciação e sacramentalização ou catequização e evangelização, infelizmente ao longo dos séculos e, sobretudo no Brasil houve e continua havendo muita sacramentalização ou catequização, mas pouquíssima iniciação e evangelização.

Há uma quantidade de pessoas, centenas, milhares que recebem o Batismo, Eucaristia, Crisma etc., mas que não estão inciadas e sim sacramentalizadas, não estão evangelizadas, mas apenas catequizadas.

Quantos que recebem o Batismo, mas a vida é totalmente distinta da vida de Jesus, passam a vida fazendo o mal destruindo a própria vida e a dos semelhantes como também tudo o que é de Deus, roubando, matando, extorquindo, ameaçando, dominando, chantageando, tirando proveito etc. sejam ocupantes de cargos ou funções políticas e religiosas como pessoas comuns da sociedade.

O verdadeiramente iniciado ou evangelizado será aquele que tem profunda convicção da sua fé na pessoa de Jesus e vai dia após dia modelando o seu viver na vida dele e como ele ungido e consagrado vai passando fazendo o bem, sendo presença divina, mas de forma sensata e integrada no humano e não de forma distorcida como se vê em muitas pessoas que se tornam piegas, melosas na fé se apresentam apenas na exterioridade da vida cristã como escrupulosas, sentimentais, retrógradas, moralistas etc. Dois extremos perigosos diante do Batismo o desleixo ou o escrúpulo na fé.

O caminho acertado é acolher o Evangelho e aplicá-lo na vida com espontaneidade e naturalidade, mas com coerência entre a fé professada e a vida vivida.