Bodas de Caná


Em épocas de grandes enchentes ou terremotos ocorre de muitas pessoas e, sobretudo as mais empobrecidas perderem tudo o que tem ou ainda por alguma situação social ou financeira perderem bens, posses, dinheiro e até o nome no mercado.

Só quem passa por tais situações pode descrever o sentimento e emoção em ver se desamparado e sem as condições básicas para viver, no dizer de muitos: “Perdi tudo” ou “Não tenho mais nada”.

O segundo domingo do tempo comum traz o Evangelho das bodas de Caná, uma festa de casamento onde o vinho acabou e diante disto a mãe de Jesus diz: “Eles não tem mais vinho”. Trata-se do primeiro sinal no Evangelho de João com significado teológico.

O “casamento” na narrativa recupera o tema da Aliança no primeiro momento entre Deus e o povo de Israel, povo eleito, povo da promessa de justiça e salvação como descreve o profeta Isaías: “Como a noiva é a alegrai do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus”.

Mas a cena das bodas é apresentada como significativa e declarada realização das promessas de justiça e salvação na pessoa de Jesus Cristo, ele é o vinho novo para a humanidade, o esposo por excelência.

Em que consiste o verdadeiro sentido da vida? Qual a razão mais profunda do viver? O que realmente não nos pode faltar?

Evidentemente para esta vida terrena e temporária necessitamos de condições básicas que nos de tranquilidade, segurança, conforto, amparo etc. para uma vida com dignidade, mas a vida não é só matéria, talvez muitos acreditem que seja infelizmente, por isso quando falta o que é material sobrevém o desespero, a aflição ou angústia.

Mas na vida de todos está presente o Amor divino realizando a cada milésimo de segundo um verdadeiro casamento ou aliança entre nós, acima de todo e qualquer bem material o amor não pode faltar, faltou amor, faltou sentido de vida e compromisso de fidelidade para com ela.

Vive-se hoje uma extrema carência de amor a começar em muitos lares onde pais dão tudo aos filhos, mas falta o afeto, acolhimento, conversa no colo ou na mesa, falta bons ensinamentos de educação, limite e respeito e isto vale para com os idosos também. Não é atoa e sintomático na fala de muitos que cada dia mais está difícil a convivência entre pessoas, pois falta “vinho” nesta festa da vida.

Nesta vida pode se perder tudo como bens, posses, dinheiro etc. não se pode perder o amor, palavrinha até desgastada e esgotada por muitos como o vinho que faltou nas bodas, mas que se trata mesmo da falta de Deus no coração de pessoas.

Muitas são as pessoas que perdem tudo, mas que guarda no coração a presença de Deus e não se desesperam e continuam encorajadas para se reerguerem e conquistarem tudo de novo, ao passo que as que não contêm Deus se perdem na aflição, angústia e desespero até levando a suicídios.

Todos vivemos nas bodas da vida, todos somos a “esposa” amada pelo esposo que é Jesus Cristo, o vinho da alegria e do sabor da vida e festeja-la com Deus é não sentir abandonados, ressequidos como deserto.

É fundamental mover a vida em direção ao “vinho novo” e dele beber e isto implica dar ouvidos ao que Maria diz na cena: “Fazei o que ele vos disser”.